quinta-feira, 28 de junho de 2012

Diário de uma bailarina morta


As vezes a coreografia da vida nos faz mudar os rumos e o ‘’Lago dos Cisnes’’ se torna fatalmente negro.

Quando percebo que meus pensamentos estão voltados apenas para fazer-me sentir ruim, eu danço. Não danço porque quero e muitos menos porque sei, danço porque sou uma mera mortal que desconta todas as suas raivas em um alongamento forte, onde, no outro dia não consigo sentir meus músculos.
-Vamos! Minha professora dizia. A dor faz parte do aprendizado.
Isso entrou de uma forma tão boa e tão suave em mim, que prefiro não sentir meus pés depois de uma madrugada de ‘’pontas’’ do que sentir uma leve dor ao bater o dedo do pé na parede. E é isso, a dor da dança e nada mais, que me fazem sentir assim...bem, disposta, feliz, enérgica e principalmente ‘’cheia de si’’.
Aquele estoque de egocentrismo que você coloca no palco quando dança!
Se estou revoltada? Pergunta boba. Não me faça responder que largaria tudo o que tenho para viver em função de uma dança que não irá me fazer lucrar nada! Que só iria me trazer toda a felicidade que eu possa ter no mundo e que principalmente eu me sentiria bem fazendo algo em que já recebi,um dia, elogios.
Desculpe-me por esse ódio cru, eu só canso de chorar em cima de minhas sapatilhas um tanto quanto gastas. Só queria poder ser um pouco mais do que sou.Voltando a sorrir pelo simples fato de subir na ponta e os pés formarem o ‘’arco’’ desejado.
Parágrafos e parágrafos jogados em um texto não expressão nem uma fagulha do que uma bailarina derramando seu suor nos rígidos ensaios!
Cansei de responder a todos ‘’o que eu quero ser da vida’’! Porque não me perguntam ‘’ o que eu sei ser da vida’’???
Enquanto esse texto se torna sem sentido a cada palavra que redijo, meu peito aperta, aquela vontade de manter a postura vai se findando e o queixo aos poucos se abaixando. Até quando bailarinas vão ‘’relaxar o bumbum’’ e andar com passos comuns pelas ruas como se nada estivesse acontecendo?E a resposta, caro leitor, você encontra aqui pois é quando não se tem a graça de agir que se perde o ‘’fio da meada’’!
E esse final, ocorre a todo momento e da mesma maneira,onde, o que antes era belo agora se torna magnífico porém fatal : ‘’Morte do Cisne Negro’’.

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